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Artigo: Arbitros apanhados a jantar com dirigentes
Publicado dia 08/02/2007 às 01:07
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O Conselho de Disciplina da Associação de Futebol de Aveiro (AFA) instaurou, a 18 de Janeiro, aos árbitros João Paulo Salgueiro, Renato Oliveira e Carlos Vaz um processo de averiguações para avaliar os seus comportamentos em Dezembro de 2006.

O Conselho de Disciplina da Associação de Futebol de Aveiro (AFA) instaurou, a 18 de Janeiro, aos árbitros João Paulo Salgueiro (não teve classificação por estar no nacional de futsal), Renato Oliveira (árbitro de 3ª categoria nacional) e Carlos Vaz Pinto (árbitro do Grupo A da AFA) um processo de averiguações para avaliar os seus comportamentos em Dezembro de 2006.

Segundo o que o Litoral Centro conseguiu apurar, em exclusivo, junto de fonte conhecedora deste processo, os três árbitros foram apanhados, em meados do último mês do ano de 2006, em flagrante, por elementos do Conselho de Arbitragem (CA), a jantarem com a direcção de um clube da zona norte do distrito que milita no campeonato distrital da 1ª divisão de Aveiro. E foram apanhados porque os elementos do CA da AFA receberam uma denúncia anónima, que indicava o local e a companhia dos árbitros nesse jantar.

A suspeita de "dolo" neste caso levou mesmo a direcção do Conselho de Arbitragem a pedir a instauração do processo disciplinar.

Esta situação deixou Elísio Carneiro, presidente da direcção da Associação de Futebol de Aveiro, extremamente insatisfeito, como o próprio confidenciou ao LC: "Foi apresentada à direcção da AFA uma exposição do Conselho de Arbitragem, que confirmava a presença dos três árbitros nesse jantar", confirmou, acrescentando que "despachei o caso para o Conselho de Disciplina (CD) e estou à espera dos resultados que esse órgão vai transmitir".

MUITO MAU GOSTO ESTE TIPO DE JANTARES

Qualquer que seja o desfecho a considerar pelo CD, Elísio Carneiro não exclui a possibilidade de enviar o caso para o Ministério Público, como aliás já o fez em ocasiões anteriores. "Não seria a primeira vez que tomávamos essa decisão, pois, desde que sou presidente da AFA, já enviámos cinco casos semelhantes para o Ministério Público averiguar", referiu, frisando que "mesmo que não haja um caso de favorecimento ao clube em questão, acho de muito mau tom os árbitros almoçarem ou jantarem com directores das colectividades, pois com essas atitudes não contribuem para a credibilidade do futebol".

Dino Rasga, presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Aveiro, não está muito preocupado com o que se passou. "Hoje (dia 25) tenho elementos, dados pelas pessoas em questão, que me explicam o que se passou, que não tinha em Dezembro último", disse, não adiantando, contudo, quais seriam as explicações dadas pelos três árbitros. Todavia, aquele dirigente adiantou que, no dia 16 de Dezembro, no jantar de Natal que realizou com todos os árbitros filiados na Associação de Futebol de Aveiro, deixou um “recado” para todos. “Nesse dia, confesso que estava muito irritado, mas não tinha os elementos que tenho actualmente”, admitiu.
Segundo o presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Aveiro, existiu mesmo esse jantar. “Confirmo que os três foram apanhados a jantar com a direcção de um clube, sei porque o fizeram, apesar de pensar que cometeram um erro", adiantou, frisando que continua à espera da decisão do Conselho de Disciplina, que ainda não tomou qualquer decisão sobre esta matéria.

O LC tentou contactar o presidente do CD da AFA, Almeida e Costa, mas foi impossível chegar à fala com aquele dirigente.

Certo é que esta situação em nada contribui para a credibilidade do futebol aveirense, cujas suspeitas de favorecimentos continuam na mó de cima. A ver vamos quais serão as decisões a tomar. Pelo menos, de duas coisas a arbitragem de Aveiro não se livra: da má fama e de o órgão que a coordena (CA) não ter suspenso, preventivamente, os árbitros, enquanto se aguarda pelo desfecho do processo.

No caso de Renato Oliveira, como é árbitro dos quadros nacionais da Federação Portuguesa de Futebol (subiu esta temporada), só essa instância podia tomar a decisão de afastar o juíz, mas não se sabe se este caso chegou aos elementos do Conselho de Arbitragem do organismo que tutela os campeonatos amadores.

in litoralcentro.pt


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