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Artigo: Taça de Portugal: Acabou-se o sonho
Publicado dia 11/02/2007 às 00:13
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A diferença entre o sonho e a realidade para o humilde Odivelas, da II divisão, esteve na falta de força e velocidade de Félix. O esguio Semedo já tinha feito o resto: dois dribles tinham desequilibrado por completo o meio-campo do Belenenses, e um último passe rasgado o que faltava da defesa azul. Perante Costinha, ainda com alguns metros por correr, o avançado esperou, susteve em demasiado a respiração e permitiu que Nivaldo recuperasse o que não podia recuperar. As passadas que tinha em atraso. Pisava-se no 26º minuto de jogo e ninguém merecia nada. Pelo que o jogo teimou em mostrar depois, ninguém o iria merecer tanto nessa primeira parte. É sempre raro encontrar um oásis no deserto. Félix pensou que era uma miragem e o Belenenses chegou aos quartos-de-final (0-1).

As duas equipas encaixaram. Dady e Garcés sempre foram demasiado posicionais para criar problemas, Carlitos não estava nos seus dias e a relva levantava formava demasiados obstáculos para o toque suave de Silas. O embate acontecia no meio-campo, com um losango voluntarioso dos da casa a apertar sobre Mancuso e Ruben Amorim e a separá-los da cabeça da equipa. Os de Odivelas ganhavam a bola e lançavam-na de imediato para as costas do adversário, aproveitando o pique de Semedo e o raciocínio rápido de Vasco Varão.

Na segunda parte, tudo mudou. Os homens de Jesus perceberam que tinham de se entregar mais ao jogo, de correr mais, de procurar levar a melhor nos ressaltos e bolas divididas. Assim se explica a subida do número de remates. E, finalmente, o golo que decidiu o apuramento para os quartos-de-final. Jogada de envolvimento, com Dady a entrar na área - algo que poucas vezes conseguiu no primeiro tempo - e a servir Garcés. Um defesa do Odivelas e o pé de Bruno Costa à recarga do recém-entrado Eliseu ainda evitaram a desilusão, mas já não havia ninguém para impedir depois a finalização de Garcés, de novo de pé. Aos 63 minutos, os azuis provavam superioridade.

Não se pode retirar mérito ao Odivelas. Tentou, tentou, mastigou rotinas, mas o Belenenses é literalmente de outro campeonato, mesmo que se tenha esquecido disso durante 45 minutos. E os homens de Rui Grgório até saem do jogo insatisfeitos, queixando-se de uma mão de Rolando na grande área, da qual só se terá certezas com as imagens da televisão. Mas depois do golo e apesar da curta desvantagem, a equipa de Rui Gregório deixou de acreditar e alguns jogadores perderam o norte. Vasco Varão, a um quarto de hora do fim, fez uma falta dura sem bola e viu o vermelho, castigando a própria equipa. A única nota má num bonito adeus à Taça.

FICHA DE JOGO
Estádio Arnaldo Dias, em Odivelas
Árbitro: Hélio Santos (Lisboa)
Assistentes: Carlos Carmo e Gabínio Evaristo
4º árbitro: Nuno Barata

ODIVELAS (4x4x2, losango) - Bruno Costa; Tero (Samarra, 70), Jorge Teixeira, Tô-Pê e Filipe Martins; Saramago, Djão (Miko, 65), Vasco Varão e Hélder Costa; Semedo (Paulo Fonseca, 83) e Félix.
Treinador: Rui Gregório

BELENENSES (4x2x1x3) - Costinha; Amaral, Ronaldo, Nivaldo e Rodrigo Alvim; Ruben Amorim e Mancuso (Eliseu, 61); Silas (Cândido Costa, 70); Carlitos (Mano, 83), Garcés e Dajão.
Treinador: Jorge Jesus

Ao intervalo: 0-0
Disciplina: cartão amarelo a Nivaldo (12), Jorge Teixeira (34), Mancuso (36), Filipe Martins (57), Semedo (72) e Paulo Fonseca (85) e Tô-Pê (90). Cartões vermelhos directos a Vasco Varão (76) e Garcés (90).
Marcadores: Garcés (63).

in www.maisfutebol.iol.pt , 2007/02/10, Luis Mateus



Jorge Jesus, treinador do Belenenses, depois da vitória em Odivelas por 1-0, a contar para a sexta eliminatória da Taça de Portugal:

«O Belenenses demorou a encontrar-se. Demorámos 45 minutos. Não nos conseguimos adaptar ao estado do terreno. Não que estivesse mau, mas os meus jogadores estavam em constante desequilíbrio. Não estavam a perceber que o relvado assim tínhamos de usar um estilo de jogo diferente. Defrontámos uma equipa difícil, que esteve tacticamente muito bem. Na segunda parte, o jogo transformou-se. Falei com os jogadores, fizemos alterações, tivemos vantagem de espaço e depois numérica e conseguimos o nosso objectivo, que era passar à próxima eliminatória num jogo muito, muito difícil. Houve dois pontos negativos, que foram as expulsões. O Garcés não pode ser expulso daquela forma. Foi uma jogada normal, uma falta, houve um sinal do fiscal... Mas não houve nada. Faltam agora dois jogos para a final, que é o nosso objectivo. Parabéns aos meus jogadores e também ao Odivelas.»

Rui Gregório, treinador do Odivelas, depois da derrota:
«A arbitragem? Se estão a perguntar é porque acham que fomos prejudicados. Houve vários lances. Um penalty descarado e um outro lance de Rolando, que tocou claramente com a mão na bola na área. Fazíamos o 1-0 e tínhamos argumentos para segurar o 1-0 e tentar o segundo golo. Não é desculpa o árbitro ter errado, mas não fez uma boa actuação. Até as expulsões são inofensivas. O Garcés apenas abre os braços, mas se calhar ele estava de consciência pesada. Estou satisfeito com os meus jogadores. Mostrámos que temos uma excelente equipa, que conseguimos ser organizados. Mostrámos que sabemos defender e atacar, e tenho a certeza de que podíamos ter ganho. Numa falha nossa o Belenenses marcou, mas não teve oportunidades por aí além. Saímos da Taça de consciência tranquila.»

in www.maisfutebol.iol.pt , 2007/02/10


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