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Artigo: Odivelas na Imprensa Escrita
Publicado dia 29/10/2004 às 17:30
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Resultados históricos não acontecem todos os dias, e as palavras são por vezes insuficientes para descrever os sentimentos. É preciso, pois, entrar no "céu" para onde subiu o Odivelas e falar com os homens que se fizeram gigantes durante hora e meia. Agora, que venha um "grande".

Quem conhece a rotina deste emblema da II Divisão B diz que já é normal, mas o facto é que a música no balneário do Odivelas se podia ontem ouvir bem alto. O rádio está sempre lá, mas o "gostinho", depois de fazer cair um primodivisionário, é agora outro. Soa à leveza de quem ainda não desceu à Terra e contribuiu para uma efémera alegria no tempo. Para a história, ficam os golos de Roque e Dady, que permitem às gentes de Odivelas continuarem a alimentar o sonho...

A passagem do minuto 32, Roque "casou" o golo mais importante da carreira com a sua idade (32 anos) e admite prontamente só agora estar a ganhar consciência do derrube a um Golias da SuperLiga. "Ontem [quarta-feira], a vitória foi saborosa, mas só depois de ver o impacto que causámos também na comunicação social é que nos apercebemos bem da realidade do nosso feito. Ainda por cima fomos uma das maiores surpresas..." - disse o experiente médio do Odivelas, garantindo que a "chave" da vitória esteve em dissipar da mente quaisquer teóricas diferenças de qualidade. "O segredo foi não pensar na diferença de valores. Sabíamos que o Gil Vicente não estava bem e sentimos que, se conseguíssemos aguentar os primeiros 20 minutos sem sofrer golos, lhes poderíamos complicar a vida. Nunca estivemos com o coração nas mãos e fomo-nos galvanizando cada vez mais. Fizemos um belíssimo jogo."

No rescaldo da eliminação do Gil Vicente, Roque admite que a vitória já fazia parte dos planos. "Não tínhamos nada a perder e só pensámos em dignificar a camisola, que é o ponto mais forte deste grupo", recordou, não fugindo à pergunta que se impõe - e agora? "Agora é pensar já no jogo do próximo domingo. Temos de vencer se queremos apanhar o comboio a frente. A festa já foi na quarta-feira. Quanto à próxima eliminatória, se calhar as outras equipas vão encarar-nos com outros olhos, e todas nos vão querer vencer."

A festa maior estava, todavia, reservada para um jovem avançado. Dady facturou o segundo para os da casa e pôs fim às aspirações dos gilistas. O alfabeto português parece agora escasso para descrever o sentimento vivido quando fez novamente balançar as redes adversárias. "Foi uma alegria imensa, até porque o jogo estava a pender para o nosso lado e o Paulo Jorge já me tinha 'roubado' um golo antes", começou por dizer, sem conseguir pôr de parte o sorriso de quem ainda vive o sonho. "Ainda estou nas nuvens. O telefone não pára, com tanta gente a dar-me os parabéns. Hoje [ontem], ainda continuo a sonhar... mas amanhã já será um dia normal."

E vão três... para Oeiras

Se o facto de o Odivelas ter derrubado o Gil Vicente tipifica surpresa, há outro dado interessante neste humilde grupo. Ali mora um experiente "tomba-gigantes", que já tem na sua conta três afastamentos de equipas do primeiro escalão nacional, de seu nome Cláudio Oeiras. Um golo seu bastou para eliminar o FC Porto - estava ainda ao serviço do Torreense - e já antes tinha eliminado o Chaves. Haverá algo por detrás do "fenómeno"? "Não há qualquer segredo. Penso é que desta vez fomos superiores ao Gil Vicente. A concentração e a motivação aumentam, ao mesmo tempo que aproveitámos a fase crítica que o adversário atravessa", explica o avançado.

Uma coisa é agora certa para os três jogadores: na próxima eliminatória, "que venha um 'grande'!".



José Marcos: "Maior feito da minha carreira"

Está há quatro anos no Odivelas, mas apenas cumpriu três encontros como treinador principal. O saldo é, para já, muito positivo - duas vitórias (Amora e Gil Vicente) e um empate (Portossantense) -, para quem herdou a equipa há pouco mais de duas semanas. José Marcos garante que "não estava à espera de assumir o comando técnico do Odivelas" e acabou por ser tocado pela felicidade com o afastamento do Gil Vicente, e a consequente seguida em frente na Taça de Portugal. "Foi o feito mais marcante da minha carreira, tanto como futebolista como na condição de treinador", sublinha este treinador, com 15 anos de experiência a defender as redes de diversos emblemas.

A formação da II Divisão B (Zona Sul) fez cair um "gigante" da SuperLiga e o ex-guarda-redes garante que, a partir de agora... nada será como dantes. "Isto traz-nos mais responsabilidade perante o nosso campeonato, mas também nos dá uma motivação extra para encarar essa competição com mais tranquilidade", explica, não se coibindo de relembrar as indicações dadas aos seus pupilos antes do embate com os gilistas. "Pedi-lhes para serem iguais a eles próprios, e que se desinibissem durante o jogo, sempre com a preocupação de respeitarem ao máximo o adversário que tinham pela frente. Sabendo do mau momento do Gil Vicente, disse-lhes também para fazerem do sonho uma realidade, porque isso, de facto, era possível."

Ultrapassado mais um obstáculo, resta esperar pelo sorteio da próxima eliminatória, mas José Marcos vai, desde já, fazendo o "pedido": "Um dos 'grandes' é sempre mais apetecível."

por Filipe Pedras, in ojogo.pt



Roque e Dady são os rostos do "Tomba Gigantes"
Um plantel nas nuvens sonha com visita ilustre

Em Odivelas há um plantel nas nuvens, pela vitória sobre o Gil Vicente na Taça, e a sonhar agora com um “grande”. Contudo, o médio Roque – autor do primeiro golo – afiança que, após as horas de euforia vividas anteontem, a equipa está pronta para se concentrar na recepção ao Casa Pia, este domingo.

“Foi um sonho tornado realidade. Ainda estamos nas nuvens. Tudo está diferente, até mesmo a atenção da Imprensa. No final do desafio, embora estivéssemos contentíssimos, não nos apercebemos disso,” confessa Ro que, acrescentando: “A vitória foi justa e todo o grupo está de parabéns. Mas amanhã [hoje] voltamos à realidade e concentramo-nos para o jogo com o Casa Pia, pois queremos apanhar o comboio dos primeiros [o Odivelas está em 13º lugar, na Zona Sul da II Divisão B].”

Quanto à próxima eliminatória da Taça de Portugal, diz querer defrontar um “grande”.

Por seu turno, o avançado Dady – marcou o segundo golo – recorda: “Senti uma felicidade imensa ao contribuir para eliminar uma formação da SuperLiga. No dia seguinte, a alegria ainda é maior, já que pudemos ver pela televisão o que fizemos. Ambicionamos agora o Benfica ou o Sporting, ou ir jogar aos seus redutos. Seria um momento único.”

por Sheila Figueiredo, in record.pt



No céu sem ter asas

É perfeitamente normal que os treinadores da II Divisão B não digam muito a quem apenas dá atenção aos escalões profissionais, mas a verdade é que, mesmo para quem segue de perto os escalões inferiores do futebol português, o nome de José Marcos não devia dizer quase nada até anteontem. Na quarta-feira, fruto de uma surpreendente vitória sobre o Gil Vicente, o Odivelas saltou para as primeiras páginas dos jornais e o seu treinador teve, pela primeira vez, contacto com o sucesso. Conheça a história do homem que, aos 34 anos, eliminou o Gil Vicente e despediu Luís Campos no quarto jogo como treinador principal.

Comecemos, então, pela sua experiência como treinador. Reside aí a primeira curiosidade. José Marcos integra a equipa técnica do Odivelas há cerca de quatro anos, quando Daúto Faquirá o convidou para adjunto. E foi precisamente com a saída do agora técnico do Barreirense que José Marcos tomou o primeiro contacto com o banco. Há duas épocas, orientou o Odivelas num jogo da Taça de Portugal, frente ao Camacha. Resultado: vitória por 3-2.
Seguiu-se um interregno de dois anos, até que a saída de João Bastos, há menos de um mês, lhe deu a primeira oportunidade de treinar uma equipa em termos efectivos. Fez dois jogos para o campeonato, nos quais somou um empate (2- 2, com o Portosantense) e uma vitória (2-1 sobre o Amora). Quis o destino que, no seu quarto jogo como treinador principal, lhe aparecesse o Gil Vicente. O desfecho já se sabe: gilistas eliminados, Luís Campos demitido e o Odivelas debaixo dos primeiros focos do sucesso.

Sem euforias

Um começo verdadeiramente auspicioso, que apesar de tudo não deixa o treinador. . . eufórico. «É gratificante, mas não quer dizer nada. Se me perguntassem se sonhava com isto há um mês, diria que não. A verdade é que, independentemente do triunfo sobre o Gil Vicente, a minha ambição passa por conduzir o Odivelas num campeonato tranquilo. Não me preocupo muito com o que pode acontecer daqui para a frente », atira José Marcos, com os pés bem assentes na terra, como repete em diversas ocasiões da reportagem. Talvez fruto de experiências nem sempre positivas numa carreira de muitos anos como jogador.

Guarda-redes até aos 30

O primeiro contacto de José Marcos com o futebol aconteceu há cerca de 20 anos. Formou-se como guarda-redes no Sporting, onde cumpriu os últimos dois escalões das camadas jovens (juvenil e júnior). Rumou, então, ao Oriental e desde aí quase nunca mais parou. União de Tomar, Estrela da Amadora, Camacha, Desp. Beja, Elvas, Sintrense, E. Portalegre e Sacavenense foram os clubes que representou.
Uma carreira bem longe das luzes da ribalta. De todos esses anos, José Marcos destaca dois clubes: o Sintrense— «foi lá que conheci o Daúto Faquirá, que mais tarde me convidaria para trabalhar com ele no Odivelas », lembra — e o E. Amadora. Foi nos tricolores que, de resto, viveu um momento semelhante ao que passou na quarta-feira: «Festejei uma subida à SuperLiga e, embora não tenha jogado durante toda a época, foi um momento inesquecível. Só superado mesmo pela festa que se seguiu à vitória de anteontem, agora como treinador.» Prenúncio de uma carreira mais feliz como treinador do que como jogador? José Marcos, para já, não se preocupa: «Não gosto de fazer futurologia. A festa já passou e nem quero pensar nisso.»

por Ricardo Quaresma, in abola.pt


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